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Contrato de Experiência X Súmulas 244 e 378 do TST

04 Out

O CONTRATO DE EXPERIÊNCIA E AS SÚMULAS 244 (GESTANTE) E 378 (ACIDENTE DE TRABALHO) DO TST

Inicialmente, sabe-se que o contrato de experiência é utilizado para que ambas as partes, empregador e empregado avaliem e decidam se, de acordo com as condições, trabalho e contraprestação, irão firmar um contrato por prazo indeterminado, que é a regra.

Pois bem, o Tribunal Superior do Trabalho, através da Resolução nº. 185/2012, alterou a redação do item III da Súmula 244 e inseriu o item III na Súmula 378, impactando de forma direta os contratos por prazo determinado, além de ter realizado diversas outras atualizações.

Percebe-se, nitidamente, que estas novas súmulas mencionadas irão gerar uma maior preocupação para os empregadores, especialmente para os micro e pequenos empresários, devido às novas redações transcritas abaixo:

Súmula 244. GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA (redação do item III alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) – Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012

I – O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, “b” do ADCT).

 II – A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade.

III – A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado.

Súmula 378. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991. (inserido item III) – Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012  

I – É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 – inserida em 01.10.1997)

II – São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte – ex-OJ nº 230 da SBDI-1 – inserida em 20.06.2001)  

III – O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91.

Antes das atualizações destas Súmulas, os empregadores contratavam os trabalhadores mediante um formal contrato de experiência, tendo como um dos objetivos, além de avaliar o trabalho realizado pelo empregado, o de evitar as estabilidades decorrentes da gravidez e do acidente de trabalho.

Porém, o TST acaba de mudar o anterior entendimento de que não havia estabilidade durante os contratos por prazo determinado, tendo em vista que as partes já estão cientes da data de término, inexistindo, portanto, a dispensa arbitrária ou sem justa causa.

Sendo assim, com base nas novas redações das Súmulas 244 (gestante) e 378 (acidente de trabalho), mesmo durante o curso do contrato de experiência, caso haja uma gestação ou um acidente de trabalho, a empregada terá direito à estabilidade gestante, desde a confirmação da gravidez até 05 meses após o parto, ou o(a) empregado(a) terá garantida a manutenção do seu contrato de trabalho por, no mínimo, 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário, tudo com fulcro nos arts. 10, II, “b”, do ADCT e 118 da Lei nº. 8.213/91, respectivamente.

Art. 10, II, ”b”, do ADCT. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição:

I – fica limitada a proteção nele referida ao aumento, para quatro vezes, da porcentagem prevista no art. 6º, “caput” e §1º, da Lei nº. 5.107, de setembro de 1966;

II – Fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:

a) do empregado eleito para o cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato;

b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

Art. 118 da Lei nº. 8.213/91. O segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio-doença.

Pode-se concluir, portanto, que apesar destas Súmulas não terem o caráter vinculante, o término do contrato de experiência evitará o seguinte:

  • Direito a qualquer outra estabilidade que não seja a gestante ou a decorrente do acidente de trabalho, como, por exemplo, a do dirigente sindical;
  • Inexistência de pagamento, em regra, da multa de 40% do FGTS;
  • Desnecessidade de conceder, em regra, o aviso prévio.

* Confira o índice de Súmulas do TST

 
 

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5 responses to “Contrato de Experiência X Súmulas 244 e 378 do TST

  1. Hélio Demétrio

    16/11/2012 at 11:07

    Em relação ao acidente de trabalho, é louvável essa decisão. Quanto a estabilidade da gestante pode trazer algumas reações desfavoraveis.

    Vejam bem, as empresas vão querer contratar menos funcionários do sexo feminino na faixa etária de 18 a 30 anos.

    Por sua vez, algumas jovens poderão usar este artifício quando ao saber que estar grávida para procurar um emprego que lhe garanta uma renda no período de gestão e pós parto. Entendam, essas jovens não estarão buscando um emprego para se dedicar a carreira, apenas um meio de busca do sustento.

    Nada contra a estabilidade, mas de certa forma acaba onerando os custos de folha das empresas que já são bastante pesados.

     
  2. Kelly Sousa

    05/03/2013 at 10:56

    Concordo, estamos com esse problema na empresa, contratamos uma temporário, e ao termino de seu contrato de 3 meses, ela nos comunicou que esta gravida de 6 meses, tivemos que registra-la.

     
  3. sonia

    26/03/2013 at 11:55

    Ótima forma de sustentar quem não quer trabalhar.O governo não dá conta de sustentá-los e joga a resposablidade para os empregadores de baixa renda(pequenas empresas).

     
    • Mateus lucas

      07/04/2014 at 17:06

      É nada todos temos esse direito inclusive você. Imagina se você sofre um acidente e fica uns 3 meses afastada e quando voce retornar te mandam embora hein? 1° se poem no lugar dos outros antes de se argumentar com esse tipo de…. Fique com Deus!!

       
  4. sonia

    26/03/2013 at 12:00

    no mundo dos espertos quem não quer ficar grávida? elas ganham para isso.Até dispensam as crianças na própria maternidade onde teve a criança.Oimportante é que já ganhou seu dinheiro .Uma sumula desta nem o Tiririca faria.

     

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